Edward Gorey - Biografia:




Edward Gorey São João (22 de fevereiro de 1925 - 15 de abril de 2000) foi um escritor norte-americano e artista conhecido por suas divertidamente macabras livros ilustrados.

Edward Gorey São João nasceu em Chicago. Seus pais, Helen Dunham (Garvey née) e Edward Gorey Lee , se divorciaram em 1936, quando ele tinha 11 anos, em seguida, casou-se novamente em 1952, quando ele tinha 27 anos. Uma de suas madrastas foi Corinna Mura (1909-1965), uma cantora de cabaré que tinha um pequeno papel no filme clássico Casablanca como a mulher tocando violão, cantando "La Marseillaise" no Américain de Rick Café. Seu pai foi brevemente um jornalista. Materna Gorey a bisavó, Helen St. John Garvey, era um popular escritor do século 19 cartões e artista, de quem disse ter herdado seus talentos.
Gorey participou de uma variedade de escolas primárias locais e, em seguida, a Escola Francis W. Parker. Ele passou 1944-1946 no Exército no Ground Dugway Proving em Utah, e em seguida, estudou na Harvard University 1946-1950, graduando-se na classe de 1950, onde estudou francês e salas com o poeta Frank O'Hara.
No início de 1950, Gorey, com um grupo de ex-alunos de Harvard recentes incluindo Alison Lurie (1947), John Ashbery (1949), e da Câmara Donald (1951), Frank O'Hara, entre outros, fundada Teatro dos Poetas, em Cambridge, que foi apoiado por membros do corpo docente de Harvard John Ciardi e Thornton Wilder.
Ele freqüentemente declarou que sua educação artística formal era "insignificante"; Gorey estudou arte por um semestre na Escola do Instituto de Arte de Chicago, em 1943.
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Edward St. John Gorey (1925–2000) não foi apenas um escritor e ilustrador; ele foi um arquiteto de um universo singular, onde a elegância vitoriana colide com o absurdo macabro. Sua obra, marcada por desenhos em bico de pena de traço fino e narrativas concisas sobre infortúnios e mortes prematuras, criou um gênero próprio: o nonsense literário gótico. Gorey, com sua vida reclusa e suas excentricidades públicas, tornou-se tão enigmático e fascinante quanto os personagens de seus livros.
Esta biografia detalhada explora a vida, a estética, as influências e o legado duradouro de um artista que, com um humor seco e uma sensibilidade peculiar, transformou o medo e o absurdo em alta arte.
1. A Formação de um Excêntrico: Infância, Harvard e o Exército
Nascido em Chicago em 1925, Edward Gorey demonstrou precocidade desde cedo, desenhando aos 18 meses e aprendendo a ler sozinho aos três anos. Sua infância foi marcada por uma certa instabilidade familiar, com seus pais se mudando constantemente, o que pode ter contribuído para a sua visão de mundo ligeiramente deslocada.
Apesar de ter sido um aluno excepcional, Gorey teve uma breve passagem pelo Art Institute of Chicago antes de ser convocado para o Exército dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial. Ele serviu no Dugway Proving Grounds em Utah, uma experiência que, embora não fosse de combate, o expôs a um ambiente de isolamento e estranheza que ecoaria em sua arte.
Após a guerra, Gorey ingressou em Harvard, onde se formou em Literatura Francesa em 1946. Sua escolha pela literatura francesa, em vez da inglesa, era característica de seu intelecto: ele buscava o desafio e a profundidade que a literatura continental oferecia. Em Harvard, ele se envolveu com o Poets Theatre, publicando histórias e poemas e interagindo com figuras que se tornariam gigantes da literatura, como Frank O’Hara e John Ashbery.
2. A Estética Gorey: O Encontro do Vitoriano com o Absurdo
O estilo de Gorey é instantaneamente reconhecível e profundamente influente. Ele é definido por uma série de características que se tornaram sua marca registrada.
A. O Traço em Bico de Pena
Gorey era um mestre do desenho em bico de pena (pen-and-ink). Seu traço fino, detalhado e sombreado criava uma atmosfera densa e melancólica. A ausência de cores, com o uso quase exclusivo do preto e branco, reforçava o tom sombrio e a elegância austera de suas cenas.
B. O Cenário Vitoriano e Eduardiano
Seus personagens, invariavelmente vestidos com casacos de pele, cachecóis, chapéus e luvas, habitam um mundo que parece ter parado no final do século XIX ou início do século XX. Mansões decadentes, paisagens desoladas e móveis ornamentados servem de palco para seus dramas. Essa estética vitoriana não era apenas um capricho; era uma forma de criar um distanciamento temporal que tornava o horror mais palatável e o humor mais sutil.
C. O Nonsense Macabro
Gorey descrevia sua obra como "nonsense literário". Suas narrativas são curtas, muitas vezes em formato de livro infantil, mas com um conteúdo perturbador. A morte, o infortúnio e o desaparecimento são temas recorrentes, tratados com uma indiferença e uma brevidade que beiram o cômico. O leitor é confrontado com o absurdo da existência e a fragilidade da vida, mas tudo é apresentado com uma elegância tão impecável que o choque se transforma em deleite intelectual.
3. Obras Icônicas: A Trilogia da Incerteza e o Alfabeto do Infortúnio
A vasta obra de Gorey, que inclui mais de 100 títulos próprios, é pontuada por livros que se tornaram clássicos do gênero.
A. The Unstrung Harp (1953)
Seu primeiro livro, The Unstrung Harp (A Harpa Sem Cordas), é considerado um precursor do romance gráfico. Ele narra a vida melancólica e absurda de um escritor de romances góticos, o Sr. Earbrass. O livro foi aclamado por críticos como Graham Greene, que o chamou de "o melhor romance já escrito sobre um romancista".
B. The Gashlycrumb Tinies (1963)
Talvez sua obra mais famosa, The Gashlycrumb Tinies (Os Pequeninos Gashlycrumb), é um alfabeto macabro onde 26 crianças, de A a Z, encontram fins prematuros e bizarros. O texto é um dístico simples: "A is for Amy who fell down the stairs" (A é para Amy que caiu da escada). A frieza da narrativa em contraste com a tragédia das mortes é o auge do humor negro de Gorey.
C. The Doubtful Guest (1957)
The Doubtful Guest (O Hóspede Duvidoso) introduziu uma de suas criaturas mais memoráveis: um ser estranho, parecido com um pinguim, que aparece em uma casa e se recusa a ir embora, causando confusão e melancolia. A obra explora o tema da presença inexplicável e do absurdo da convivência.
4. O Homem por Trás do Traço: Excentricidade e Vida Pessoal
A vida pessoal de Edward Gorey era tão peculiar quanto sua arte. Ele era conhecido por sua reclusão e por seu estilo de vida espartano, mas também por suas excentricidades.
A. O Uniforme e os Interesses
Gorey era famoso por seu "uniforme": casacos de pele longos, cachecóis, anéis e, notavelmente, tênis Converse (All-Stars) que ele usava em todas as ocasiões. Essa justaposição do formal (o casaco de pele) com o casual (o tênis) refletia a dualidade de sua arte.
Ele era um apaixonado por balé, sendo um fã fervoroso de George Balanchine e do New York City Ballet. Sua admiração pela precisão e pela estrutura do balé influenciou a composição de suas ilustrações. Ele também era um leitor voraz, possuindo uma biblioteca com mais de 25.000 volumes.
B. O Taoísmo e a Filantropia
Gorey se declarava taoísta, o que explica a aceitação filosófica do absurdo e da inevitabilidade do infortúnio em sua obra. Ele nunca se casou e viveu a maior parte de sua vida em uma casa em Cape Cod, cercado por seus gatos. Seu amor pelos animais era profundo; ao morrer em 2000, ele deixou a maior parte de seu patrimônio para o Edward Gorey Charitable Trust, dedicado ao bem-estar animal.
5. O Legado Cultural: Do Teatro à Televisão
A influência de Gorey se estendeu muito além dos livros, permeando o teatro, a televisão e a cultura pop.
A. O Sucesso na Broadway
Em 1977, Gorey desenhou os figurinos e a cenografia para uma produção off-Broadway de Dracula, que foi transferida para a Broadway e se tornou um sucesso estrondoso. O espetáculo lhe rendeu dois Tony Awards (Melhor Revival e Melhor Figurino), um reconhecimento que o tirou do nicho literário e o apresentou a um público mais amplo.
B. A Abertura de Mystery!
Para o grande público, a obra mais conhecida de Gorey é a animação de abertura da série de televisão Mystery! da PBS. A vinheta, com seus personagens sombrios e a atmosfera de suspense, tornou-se icônica, definindo a identidade visual da série por décadas e consolidando a estética gótica de Gorey no imaginário popular.
C. A Influência na Nova Geração
O estilo de Gorey é uma fonte de inspiração confessa para artistas contemporâneos. Tim Burton, com seu humor negro e sua estética gótica, é um herdeiro direto. Lemony Snicket (Daniel Handler), autor da série Desventuras em Série, bebe diretamente na fonte do nonsense macabro de Gorey. Sua obra continua a ser redescoberta por novas gerações que apreciam a beleza na melancolia e o riso no absurdo.
6. As Influências Intelectuais e Artísticas de Gorey
A sofisticação da obra de Gorey é um reflexo de suas vastas e ecléticas influências, que iam da literatura asiática ao cinema mudo francês.
A. O Surrealismo e o Cinema Mudo
Gorey tinha uma profunda admiração pelos surrealistas, como Max Ernst, cuja técnica de colagem de gravuras vitorianas para criar cenas sinistras influenciou a justaposição de elementos em sua própria arte. Ele também era um fã fervoroso do cineasta francês Louis Feuillade, cujos seriados mudos (Fantômas, Les Vampires) eram repletos de suspense e uma estética fin-de-siècle que Gorey replicou em seus desenhos. A natureza silenciosa e a estrutura de intertítulos do cinema mudo se refletem na prosa esparsa e fragmentada de seus livros.
B. A Literatura e a Prosa Elíptica
Sua formação em Literatura Francesa o levou a apreciar a concisão e aforismos de autores como François de La Rochefoucauld. No entanto, a maior influência literária em seu estilo de escrita foi o autor inglês Ronald Firbank, conhecido por seu humor seco e sua prosa elíptica e codificada. Gorey adotou essa técnica, deixando grandes lacunas na narrativa para que o leitor preenchesse o horror ou o absurdo com sua própria imaginação.
C. A Arte Japonesa e o Minimalismo
Apesar da estética vitoriana, Gorey era um admirador da arte japonesa ukiyo-e, especialmente as gravuras de Hokusai. Ele absorveu o minimalismo e a justaposição de simplicidade e detalhe, o que é evidente em suas paisagens esparsas e na economia de palavras. Sua prosa, por vezes, beira o haicai, provando que a arte de Gorey era uma fusão de Oriente e Ocidente, do século XIX e do século XX.
7. A Crítica Social Velada: O Humor como Arma
Embora Gorey evitasse o engajamento político direto, sua obra é uma crítica social sutil e mordaz à hipocrisia e à complacência da classe alta.
A. A Indiferença Diante da Tragédia
Em The Gashlycrumb Tinies, a indiferença com que as mortes das crianças são narradas é uma crítica à forma como a sociedade moderna se tornou insensível à tragédia. O infortúnio é tratado como um evento cotidiano, uma nota de rodapé na vida dos adultos. Esse humor negro é a arma de Gorey para expor a superficialidade das convenções sociais.
B. O Absurdo da Riqueza
Seus personagens, sempre bem-vestidos e em ambientes luxuosos, são frequentemente vítimas de eventos absurdos e inexplicáveis. A riqueza e a elegância não os protegem do caos ou da morte. Pelo contrário, o cenário de opulência serve apenas para acentuar o ridículo de suas situações. Gorey sugere que, por trás da fachada de ordem e decoro, o mundo é fundamentalmente caótico e sem sentido.
8. O Legado da Casa: O Edward Gorey Charitable Trust
Após sua morte em 2000, sua casa em Cape Cod foi transformada no Edward Gorey House, um museu dedicado a preservar sua obra e a promover a causa que lhe era mais cara: o bem-estar animal.
A casa, que ele chamava de Elephant House, é um santuário que reflete sua personalidade. O museu não apenas exibe sua arte, mas também mantém vivo seu legado filantrópico. O fato de um artista que lidava com o macabro ter dedicado seu patrimônio à proteção da vida é a contradição final e mais bela de sua existência.
9. A Permanência de um Estilo Inimitável
Edward Gorey permanece um ícone cultural porque sua arte é atemporal. Sua estética gótica e seu humor negro transcendem modismos, encontrando ressonância em todas as gerações que se sentem um pouco deslocadas ou que apreciam a beleza na melancolia.
Ele nos ensinou que a arte pode ser sombria e divertida ao mesmo tempo, que a tragédia pode ser elegante e que o maior mistério da vida é o seu próprio absurdo. A biografia de Edward Gorey é a história de um homem que, vivendo à margem, conseguiu capturar a essência do centro da experiência humana.