A REPÚBLICA VELHA

Da queda da Monarquia ao Governo Provisório (1889–1891)

A crise do regime monárquico brasileiro se intensificou nas últimas décadas do século XIX. O Exército criticava a forma como o governo tratava os militares, a Igreja enfrentava conflitos com o poder imperial e o movimento abolicionista ganhava força na sociedade.

Parte dos cafeicultores de São Paulo também demonstrava insatisfação com a política do Império. Além disso, o fim da escravidão, em 1888, alterou as relações entre o governo e os proprietários que defendiam a manutenção do trabalho escravizado.

A crise do regime monárquico

Entre 1888 e 1889, o gabinete de ministros comandado pelo visconde de Ouro Preto tentou aprovar reformas políticas e econômicas. A Câmara dos Deputados, dividida entre os partidos Liberal e Conservador, não conseguiu construir apoio suficiente para as mudanças.

A insatisfação se acumulava entre diferentes setores da sociedade. O Exército queria maior reconhecimento político, os republicanos defendiam a mudança do regime e setores das elites provinciais reivindicavam mais autonomia. O governo monárquico, enfraquecido, não conseguiu responder a essas pressões.

O movimento de 15 de novembro

Em 15 de novembro de 1889, militares liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca derrubaram o gabinete imperial no Rio de Janeiro. O movimento encerrou a Monarquia e proclamou a República.

D. Pedro II não foi deposto em uma batalha prolongada. Após a mudança de regime, recebeu a determinação de deixar o país com a família imperial. O ex-imperador partiu para o exílio e morreu em Paris, em 1891.

O Governo Provisório

Deodoro da Fonseca assumiu a chefia do Governo Provisório, que permaneceu no poder até a organização constitucional do novo regime. Uma de suas principais tarefas foi consolidar a República e preparar a eleição de uma Assembleia Constituinte.

Entre as medidas adotadas nesse período estavam a separação entre Igreja e Estado, a instituição do casamento civil, mudanças no ensino e a reorganização de órgãos da administração pública. O Governo Provisório também promoveu a chamada Grande Naturalização, que reconheceu como brasileiros naturalizados muitos imigrantes residentes no país, salvo manifestação em contrário.

O novo governo precisava enfrentar a resistência de monarquistas e a oposição de grupos que não concordavam com o movimento militar. Por isso, o período foi marcado por disputas políticas e por medidas destinadas a proteger o novo regime.

A Constituição de 1891

Em 24 de fevereiro de 1891, foi promulgada a primeira Constituição republicana do Brasil. A Carta estabeleceu o presidencialismo, o federalismo e a divisão entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Deodoro da Fonseca foi eleito presidente pelo Congresso Nacional, e Floriano Peixoto foi escolhido vice-presidente. A República ampliou a autonomia dos estados, mas a participação política continuou limitada. Mulheres, analfabetos, pessoas escravizadas — já libertas desde 1888 — e muitos outros grupos não tinham direito de voto.

República e continuidade social

A mudança de regime não eliminou as desigualdades existentes. A concentração de terras, a pobreza e a exclusão política permaneceram. A população negra recém-liberta não recebeu políticas amplas de integração social ou acesso à terra, o que contribuiu para a manutenção da desigualdade.

Assim, a Proclamação da República representou uma mudança importante na organização política do Brasil, mas não significou uma transformação imediata da estrutura social e econômica do país.

Conclusão

A queda da Monarquia resultou da combinação de crise política, insatisfação militar, fortalecimento do movimento republicano e perda de apoio entre setores das elites. O Governo Provisório criou as bases institucionais da República, posteriormente organizadas pela Constituição de 1891.

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