A descoberta de ouro e pedras preciosas foi fundamental para as finanças portuguesas, principalmente porque logo que foram expulsos do Brasil, os holandeses passaram a produzir açúcar nas Antilhas, concorrendo com o açúcar brasileiro. Como conseqüência, os preços e a venda do açú carro caíram, deixando os senhores de engenho e a Coroa em dificuldades. Assim, apenas a exploração de metais preciosos poderia salvar a economia portuguesa da crise.
A formação das cidades As notícias sobre a
descoberta das mi-nas chegaram a Portugal e provocaram uma "febre do ouro". Calcula-se que 800 mil portugueses partiram da Metrópole para a Colônia com o sonho de enriquecer. Além desses, milhares de escravos foram trazidos da África para trabalhar na mineração.
Essa grande concentração de pessoas provo-cou a formação de dezenas de cidades próximas às áreas de mineração. A maior e mais importante delas, Vila Rica (atual Ouro Preto), em Minas Gerais, chegou a ser a cidade mais populosa das Américas, no século XVIII.
Nos primeiros tempos, as dificuldades eram enormes. Todos queriam procurar ouro e poucos se dedicavam a outras atividades como, por exem plo, a produção de comida. A distância da região mineradora em relação ao litoral, onde chegavam as embarcações com mantimentos, era grande. Com o passar do tempo, as cidades foram se orga-nizando e garantindo o abastecimento.
De São Paulo chegavam as monções: expedi-ções comerciais que tinham a função de levar mer-cadorias às regiões mineradoras. Os caminhos percorridos de São Paulo a Minas foram abertos pelos tropeiros. A navegação nos rios também era uma opção para se chegar à região.
A grande população das cidades atraiu profis-sionais de outras ocupações. Pedreiros, advoga dos e alfaiates, entre outros, instalaram-se na região, oferecendo seus serviços. Pela primeira vez em sua história, o Brasil tinha cidades gran-des e diversificadas.
O controle português
Portugal administrava as áreas de forma bas-
tante rígida e severa através da Intendência das Minas, que controlava e policiava as áreas de exploração.
O quinto era o principal imposto cobrado por Portugal e correspondia à quinta parte (20%) de todo o ouro encontrado pelos mineradores. Para diminuir a sonegação (o minerador nem sempre declarou todo o ouro que encontrava) e o contra bando (venda do ouro para comerciantes ilegais, sem recolhimento do imposto), Portugal proibiu a circulação do ouro em pó, que poderia ser facilitado te escondido, e determinou que todo o ouro teria de ser fundido em barras. Para isso, criaram as Casas de Fundição. Ao fundir o ouro, a Intendência já retirava o quinto da Coroa.
Portugal extraiu no Brasil, no século XVIII, cerca de 320 toneladas de ouro. No entanto, isso não resolveu os seus problemas económicos. As importações de produtos fabricados e as divisões portuguesas junto à Inglaterra eram enormes. Assim, o ouro brasileiro acabou engordando os cofres ingleses. Por isso, muitos historiadores afirmam que foi o ouro de Minas Gerais que financiou a Revolução Industrial na Inglaterra.
Quando as jazidas foram se esgotando, Portu-gal passou a pressionar os mineradores exigindo maiores quantidades de ouro. A pressão portugue sa, a grande carga de impostos e os altos preços cobrados pelos mantimentos fez crescer a insatis-fação entre os habitantes da área mineradora. Estes fatores contribuíram para que ocorresse na região a primeira tentativa de independência do Brasil: a Inconfidência Mineira, em 1789.
A sociedade colonial no século XVIII
O grande marco do Brasil no século XVIII foi, sem dúvida, a mineração. Calcula-se que a popula-ção do Brasil era de 300 mil pessoas em 1700. Em 1800, o número de habitantes saltou para três mi-lhões. Grande parte dessa população estava con-centrada nas cidades próximas à região das minas.
A classe média A mineração possibilitava que uma pessoa pobre tivesse a oportunidade de enriquecer com as minas ou com