Regência de D. Pedro e Independência
A volta de D. João a Portugal precipitou os acontecimentos. Seu filho D. Pedro, sucessor do trono português, ficou no Brasil. Este fato teve profunda ligação com a independência, pois as Cortes Portuguesas ajudaram a tomar decisões no caminho da recolonização. Retiraram a nomeação de D. Pedro como regente do Brasil, nomea-ram governadores de armas para as capitanias brasileiras sileiras, exigiram a volta de D. Pedro para Portugal, extinguiram os tribunais, ou seja, tomaram medidas com o objetivo de enfraquecer as decisões joaninas e a própria Monarquia.
Neste quadro de relacionamento entre Portu-gal e Brasil, as elites coloniais aproximaram-se de D. Pedro, procurando enfraquecer as Cortes Por-tuguesas. Outros grupos, aqui no Brasil, também tornaram-se partidários da independência:
burocratas e funcionários que tinham perdido os seus empregos com o fim dos tribunais criados por D. João e suspensos pelas Cortes;
proprietários, comerciantes, mineradores, altos funcionários do governo) que defendiam a manutenção da Monarquia ligada a Portugal, mas não queriam a volta do Pacto. Anojavam a independência se esta fosse empreendida por D. Pedro, os Liberais Radicais, formados por professores, padres, jornalistas, enfim, a classe média urbana que, influenciada pelas ideias iluministas, defende uma república democrática para o Brasil
Chamados de partidos, estes grupos politi cos formados no momento da independência não passavam de minorias que se encontravam nas capitais das provincias e no Rio de Janeiro, princi palmente. A grande maioria da população brasilei Escravos, indios e brancos pobres não tinham ra estava muito distante destes acontecimentos. acesso às informações e nem condições de partici par efetivamente das decisões políticas.
D. Pedro, centro das articulações para a independência, procurou ganhar mais apoio político no Brasil para combater as decisões das Cortes Portuguesas. Afinal lutar contra as Cortes era uma maneira de fortalecer seu pai. D. João, e a Monarquia absolutista portuguesa. Por isso, no dia 9 de janeiro, o príncipe regente ao receber um abaixo-assinado pedindo que desobedeça à ordem das Cortes para voltar a Portugal, pronuncia ciou a célebre frase "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico" Em julho de 1822, o príncipe regente convocou uma Assembléia Constituinte para o Brasil. Leis seriam promulgadas para regulamentos no futuro governo brasileiro. Foi mais uma decisão que o colocou em confronto com a Corte de Lisboa.
Quando se esgotou o prazo para a volta de D. Pedro a Portugal, a hábil atuação de José Bonifácio de Andrada impulsionou o grito de independência, dadas às margens do rio Ipiranga, no dia 7 de setembro de 1822.
Algumas Capitanias não aceitaram de imediato a autoridade do governo instalada no Rio de Janeiro e resistiram militarmente às tropas brasileiras e aos mercenários contratados por D. Pedro. A independência concretizou-se com a reunião de todas as províncias do Brasil em torno do governo instalado no Rio de Janeiro, e a coroação do Impe rador se deu em 1º de dezembro do mesmo ano. Mas os problemas económicos, políticos e sociais não tinham sido resolvidos com o desligamento do Brasil em relação a Portugal.